<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922</id><updated>2011-09-07T08:45:20.270-07:00</updated><title type='text'>Fortuna Crítica de Charles Kiefer</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-1309323005508230103</id><published>2010-12-05T15:34:00.000-08:00</published><updated>2010-12-05T15:34:21.985-08:00</updated><title type='text'>UM GRANDE ESCRITOR (Vicentônio Regis do Nascimento Silva)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para ser escritor – &lt;/em&gt;Editora Leya, 160 p. Jornal &lt;em&gt;Oeste Notícias&lt;/em&gt;, Caderno &lt;em&gt;Tem!&lt;/em&gt;, 03 dez. 2010. Presidente Prudente, SP. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legalidade e legitimidade são dois substantivos caros. Legalidade relaciona-se estritamente a quem possui títulos, certificados, diplomas ou documentos que atestam possível capacidade. Legitimidade remete à habilidade profissional de desempenhar satisfatoriamente uma atividade. Quem tem formação legalmente regulamentada nem sempre desempenha satisfatoriamente uma atividade faltando-lhe, dessa maneira, legitimidade. Da mesma forma, nem todos os que se aventuram em uma atividade têm autorização legal, burocrática ou estatal. Charles Kiefer – ao lado de grandes nomes contemporâneos como Luiz Antônio de Assis Brasil, Deonísio da Silva, Cristóvão Tezza ou Milton Hatoum – reúne legalidade e legitimidade: não apenas analisa, estuda ou critica, mas principalmente produz Literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor de dezenas de obras – entre elas romances, contos, crônicas e ensaios – e reconhecido tanto pelos leitores (com expressiva vendagem) quanto pela crítica (considerando o número de prêmios e os estudos universitários sobre sua obra), Kiefer utiliza sua experiência de orientador de oficinas literárias no Rio Grande do Sul em “Para ser um escritor” que, em boa parte, constitui, para quem acompanha regularmente seu blog (www.charleskiefer.blogspot.com), seleção de textos relacionada ao ofício da escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros escritores renomados já tinham registrado suas impressões pedagógicas ou pessoais sobre a construção ficcional. Entre os brasileiros, Raimundo Carrero, Nelson de Oliveira e o grande Autran Dourado e, no exterior, Stephen Koch, Marguerite Duras, Schopenhauer, Marquês de Sade, Milan Kundera, David Lodge, Ernesto Sábato e Roland Barthes. Kiefer exterioriza suas concepções, levando o leitor a tomar iniciativas no papel social que evidencia o intelectual diante dos empecilhos e das confusões do cotidiano. O escritor tem a palavra para se manifestar, marcar sua posição e se preparar ao combate. Dessa maneira, o anonimato não caberia aos intelectuais no debate das idéias. Covardia? A Literatura não merece covardes, garante Kiefer em “Eu assino o que escrevo” (p. 112).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro não agrupa somente concepções de coragem, mas incentiva o estudo sistemático – não necessariamente metódico – e a valorização dos antecessores. Estudar profundamente é, portanto, compromisso indispensável: “A arte não evolui. Por isso, conhecer profundamente a tradição literária é absolutamente necessário a qualquer escritor, sob pena de se passar pelo ridículo de se reinventar a roda”. (p.46)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo de autores, de obras, de análises que agreguem valores aos diálogos intertextuais e enriqueçam o contexto são passos essenciais para assimilar com maturidade as diretrizes dispostas, como se espera de um livro cujo título insinua o caminho “Para ser escritor”, em vários capítulos. Umas das primeiras dicas alerta sobre a má qualidade de obras, destacando problemas com personagens mal construídas ou estereotipadas, ação lenta e desconexa, diálogos superficiais e inúteis, situações inverossímeis, descrições desnecessárias ou que não interessam à narração, textos inexpressivos ou ausência de sutileza. A cada um dos tópicos, Kiefer discorre sobre pontos essenciais que, na prática, auxiliam o bom leitor a analisar com mais capacidade o que descodifica e garante ao aspirante de escritor um roteiro bem estruturado na concepção de suas criações (p. 34-37).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca da perfeição também se manifesta no levíssimo “Quatro mundos da criação” em que se estabelece a gradação pragmática e didática no ensaio, na tentativa, no esboço arquitetônico da obra de arte. O discernimento e a conceituação de gêneros narrativos são expostos, discutidos e singularizados como no caso de “É conto ou crônica?” em que, nas primeiras linhas, discorda do poeta Mário de Andrade para quem a definição de conto ou crônica se daria pela escolha em enquadrá-la – sem mais questões estéticas – em um ou outro gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para ser escritor” é, no mínimo, um manual indispensável para os que desejam se tornar autores, narradores, ensaístas, dramaturgos, poetas: didático, pragmático e fluido sem, no entanto perder sua capacidade de teorização e de espanto aristotélico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-1309323005508230103?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/1309323005508230103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/12/um-grande-escritor-vicentonio-regis-do.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1309323005508230103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1309323005508230103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/12/um-grande-escritor-vicentonio-regis-do.html' title='UM GRANDE ESCRITOR (Vicentônio Regis do Nascimento Silva)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-3586988333624422298</id><published>2010-11-27T13:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-27T13:56:06.750-08:00</updated><title type='text'>Entrevista a Editora Record, 2003</title><content type='html'>Entrevista - Quem faz gemer a terra &amp;amp; Logo tu repousarás também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bah, mas como tu não conheces Charles Kiefer?! É fácil imaginar o espanto de um gaúcho diante de alguém que não saiba quem é o escritor gaúcho. Mas a verdade é que, consagrado no Sul, onde já vendeu mais de 300 mil livros, e vencedor de três prêmios Jabuti, Kiefer ainda permanece um desconhecido para o Brasil acima do Trópico de Capricórnio. Agora, 28 anos depois de sua estréia literária, esse admirador de Machado de Assis e Jorge Luís Borges vive a expectativa de ser o próximo nome das letras gaúchas a virar uma preferência nacional. O seu novo livro de contos, Logo tu repousarás também, e a reedição de Quem faz gemer a terra, romance de 1991, são os primeiros que chegam às livrarias sob o selo da Record, através da qual ele espera ver sua obra cruzar o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há cerca de dois anos e meio, numa entrevista dada em Paris, você se queixava de que, apesar de já então ter vendido cerca de 300 mil exemplares de seus livros e de ter conquistado três prêmios Jabuti, o seu nome ainda não era conhecido no Rio e em São Paulo. Desde então alguma coisa mudou?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, mas eu espero que a partir de agora, com a minha entrada para a Editora Record, esta situação mude. Nos anos 1980, quando a editora em que eu publicava aqui no Sul tinha distribuição no eixo Rio-São Paulo, eu vendia bem e era razoavelmente conhecido. Cheguei a publicar pelo Círculo do Livro, em edição para associados, o romance Valsa para Bruno Stein. Livro sem boa distribuição é livro morto, você sabe. O que me entusiasma no trabalho da Record é o profissionalismo, a dinâmica, a competência. Eu farei a minha parte, escrevendo novas obras, viajando, palestrando, pois sei o quanto esse produto chamado livro, em países periféricos como o nosso, tem dificuldades de venda. Acabei de lançar, com meus alunos de oficina, uma “Corrente de Solidariedade ao Livro”. Propus que eles sempre dêem livros de presente. É útil, refinado e saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na mesma entrevista, tanto você como o seu conterrâneo Vitor Ramil defenderam, referindo-se à nova literatura gaúcha, a existência de "uma estética do frio", "uma visão mais esbranquiçada da realidade". Quais seriam as características dessa estética, como ela se reflete na sua obra?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estatisticamente, o Sul é uma das regiões brasileiroa com os melhores perfis de consumo per capita de livros. Mas eu não credito esse bom consumo de livros ao frio, e sim a outros fatores. À ação do Estado (desde 1835-45, período da República do Piratini), através do Instituto Estadual do Livro; ao meltin pot de culturas, especialmente alemã, italiana, judaica, árabe, russa, polonesa, sabidamente povos amantes do livro; ao melhor equilíbrio (mas ainda muito deficiente) entre as classes sociais; aos investimentos em educação (também desde a Revolução Farroupilha). O frio, por si só, seria incapaz de nos tornar leitores. Acredito em políticas públicas de educação e cultura. Os bens simbólicos são tão importantes quanto os bens materiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No conto Nero, no meio da história sobre rinhas de galos, aparece esta definição: "Contar uma boa história é como preparar um galo. Embora estejam todos ao redor do curro por causa do desfecho, as marchas e contramarchas é que fazem a briga interessante. Uma história também tem unhas e esporões". O modo como você "preparou o galo" em Logo tu repousarás também apresenta novidades em relação a seus livros anteriores?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim e não. Acredito, como Jorge Luís Borges, que todo escritor circula sempre ao redor dos mesmos temas, pois são eles que nos procuram, os temas são parte de nossas obsessões inconscientes. Como um tratador de galos, limpei com paciência as minhas gaiolas, lixei as unhas dos meus contos, dei-lhes boas injeções de vitaminas políticas, sociais e espirituais. Sou econômico quando escrevo. Concentrado, até. O leitor, ao ler, dissolverá as minhas essências, amplificará as relações entre os nós e os desenlaces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A morte ronda várias histórias de Logo tu repousarás também (em contos como Boneco de neve, Morte súbita, Nero, Lídia e o rabino, etc.). O projeto era desde o início escrever um livro dominado pelo tema?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é um tema recorrente em todas as tradições literárias. É a nossa maior angústia. Não haveria como não ser a nossa maior obsessão. Escrever é tentar enganar a morte. A estabilidade do texto e a solidez da página nos dão uma certa ilusão de eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Outra afinidade partilhada entre vários contos deste volume são protagonistas maduros, velhos, solitários ou em momento de balanço. A passagem do tempo é algo que lhe incomoda hoje, aos 47 anos de idade?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado, mas o envelhecimento não me chateia. Vivi muito, e bem. E, há pouco mais de três anos, nasceu minha segunda filha, a Sofia. E ela me devolveu a juventude, o ânimo, a esperança. Duas décadas e meia atrás, quem me encheu de alegria foi a Maíra, a primeira filha. O importante é viver cada momento em sua plenitude. Em paz, cercado de livros e música. E agora, com esse renascimento literário, estou me preparando para viver mais 100 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em 1971, outro gaúcho, Érico Verissimo, "fundou" uma cidade na geografia imaginária de todo leitor brasileiro: Antares. Como ele, você criou e está tornando cada vez mais conhecida Pau D'Arco, cidadezinha-cenário de várias de suas histórias. No novo livro, ela reaparece. Afinal, como é Pau D'Arco? Ao longo de suas duas décadas (?) de existência, como ela foi crescendo e se modificando?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha Pau-d’Arco foi inspirada em Yoknapatawpha, de Faulkner. Fui leitor compulsivo de William Faulkner na juventude. Como o mestre norte-americano, eu quis uma cidade que fosse só minha. Pau-d’Arco se desenvolve no mesmo ritmo das cidades da hinterlândia brasileira e sofre os mesmos problemas: êxodo rural, desnível social, violência, perda de identidade. Pau-d´Arco é a minha Pasárgada. Cheguei a criar uma cidade ao lado de Pau-d’Arco, que chamei de San Martin, para que Pau-d´Arco não fosse alagada por uma barragem, no romance A face do abismo. Eu me escondo em Pau-d´Arco. E me encontro em Pau-d´Arco. Mas, aos poucos, ela está desaparecendo da minha obra. Meus personagens partiram da cidade e se espalharam pelo mundo. E eu vou atrás deles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ao mesmo tempo em que chega ao mercado seu novo livro, Logo tu repousarás também, a Record manda também para as livrarias uma nova edição de Quem faz gemer a terra, romance que você lançou em 1991. Você se inspirou no episódio real — a morte de um soldado com um golpe de foice dado por um sem-terra, durante um protesto. Há alguns anos, você afirmou que foi naquele momento "que a imprensa transformou o movimento dos sem-terra num movimento de bandidos". Nos últimos 15 anos, o Movimento dos Sem- Terra foi ganhando cada vez mais expressão e força. Visto hoje, Quem faz gemer a terra envelheceu? Você defende uma literatura militante?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a Record relança agora a sétima edição do Quem faz gemer a terra. Não, o livro não envelheceu. Ao contrário, tornou-se mais atual ainda. Não creio que o livro seja de “literatura militante”, ele é “de literatura”. Os temas sociais sempre estiveram entre as prioridades dos escritores. Pensemos em Tolstói, Dostoievski, Camus, Sartre, Steinbeck; que meu romance seja enquadrado em “literatura de cunho social”. É exatamente isto o que ele é. Ele não propõe salvação nenhuma, apenas descreve a vida dura dos colonos sem-terra. Militante sou eu, que me posiciono, que dou entrevistas, que faço palestras. Gosto dessa ambivalência do livro. Os radicais de esquerda me condenam por ser um livro de direita. Os radicais de direita me condenam por ser um livro de esquerda. Sinal de que o livro incomoda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem faz gemer a terra é um título pouco conhecido fora do Sul — onde inspirou até peça elogiada. Como surgiu a idéia de reeditá-lo? A proposta foi sua?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça baseada no livro foi apresentada mais de 70 vezes, inclusive na França e na Polônia. A reedição do livro faz parte do pacote que a Record preparou para 2006: serão 4 livros. Esses dois, e mais dois romances, para setembro: Valsa para Bruno Stein e O escorpião da sexta-feira. Meu projeto é reeditar toda a minha obra pela Record, são uns 30 títulos. Em 2007, vem mais. E assim a cada ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No fim dos anos 1990, você abraçou a política formal, assumindo o cargo de coordenador do Livro e Literatura, depois foi Secretário de Cultura de Porto Alegre e Subsecretário de Cultura do estado do Rio Grande do Sul. No novo livro, é muito forte, em alguns contos, a desilusão de personagens com a práxis política, inclusive a da esquerda. Como o momento atual do país está se refletindo na sua prosa?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política formal, para mim, acabou. Dei a minha contribuição, dei seis anos de minha vida à cidade, ao estado, ajudando a gerir políticas públicas de cultura. Quando nasceu a Sofia, depois de fitar seus imensos olhos azuis, decidi que me dedicaria somente a ela. A atividade política é tão absorvente que me impediria de cuidar da infância da menina. Foi uma opção radical, como tudo o que faço na vida. Não gosto do muro. Ou estou de um lado, ou do outro. Saí no meio do governo Olívio Dutra, antes da chegada de Lula ao poder. O atual momento não me espanta. Quem leu os gregos e os grandes clássicos da filosofia e da literatura não poderia imaginar que os seres humanos pudessem transformar-se em anjos incorruptíveis. Os culpados devem ser punidos, depois de provada a sua culpa. Acho saudável o que está acontecendo. Agora, a população compreenderá que é a vigilância constante e democrática que nos vacinará contra o messianismo e a idolatria. Continuarei defendendo os pobres, os aflitos e os humilhados de minha terra natal, onde cantam as jandaias nas frondes da carnaúba, mas onde os salários são miseráveis, a educação não é para todos, a cultura é luxo burguês e livro é objeto esquivo e raro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-3586988333624422298?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/3586988333624422298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/11/entrevista-editora-record-2003.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/3586988333624422298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/3586988333624422298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/11/entrevista-editora-record-2003.html' title='Entrevista a Editora Record, 2003'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-2996636958906925491</id><published>2010-02-07T08:31:00.000-08:00</published><updated>2010-02-07T08:37:13.794-08:00</updated><title type='text'>Gaúchos (Wilson Martins)</title><content type='html'>Kiefer, Charles; Faraco Sergio; Laub Michel. Jornal &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, 2 de abril de 1999, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gauchesca é uma literatura saudosista, escrita por intelectuais da cidade, quando há longo tempo desaparecera a sociedade que a inspirava. Autores, narradores e personagens referem-se a um passado mítico e mitificado, em contraste com o presente desmitificante. Em 1942, Viana Moog identificava nesse regionalismo uma vertente orgânica das letras riograndenses, a outra sendo o universalismo, que a complementa e contesta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhando o desenvolvimento da sociedade, a literatura tornou-se urbana nos temas, personagens e intrigas relacionadas com a cidade e, quase sempre, com as grandes cidades, nomeadamente Porto Alegre, nem por isso menos saudosista em outras perspectivas: a criança desaparecida, o "verde paraíso dos amores infantis" e também dos amores mortos. É a marca dos contos de Michel Laub ("Não depois do que aconteceu". Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro, 1998), de Charles Kiefer ("Antologia pessoal". Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998) e de Sérgio Faraco ("Contos completos". Porto Alegre: L&amp;amp;PM, 1995), este último vitimado pela desatenção da crítica metropolitana, sendo, embora, uma coletânea de grande qualidade literária e, para o que no momento nos interessa, um excelente "documentário" das duas tendências. Um dos seus contos ("Sesmarias do urutau mugidor") é um painel quase didático dessas transformações. Imobilizado na estrada por uma falha mecânica do automóvel (máquina de muitos "cavalos" vencida onde o cavalo dos pampas jamais falhou), o protagonista pede acolhida no rancho de um velho &lt;br /&gt;gaúcho, "ruína viva" que evoca antes o mundo de Alcides Maya que o de Simões Lopes Neto. É significativo que o autor organize o volume em três partes, indo de gauchesca tradicional às narrativas contemporâneas, nomeadamente as "histórias de Porto Alegre", tema predileto dos escritores gaúchos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Kiefer acrescenta ao realismo urbano realidades imaginárias de diversos contos, como o primeiro deles ("Photoplasma"), em que até a ortografia é fantasiosa. Ele e Laub são contistas "literários", quero dizer, com a viva consciência da sua condição de escritores, de homens escrevendo livros, não observadores de hipotéticas circunstâncias da vida real. Se o poeta famoso declarava ser "homem para quem o mundo exterior existia", eles são ficcionistas para quem o que existe de fato é a literatura. Nessa linha, escreveram contos semelhantes a partir de uma situação "profissional": o ficcionista em busca de assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No de Charles Kiefer, intitulado "Teoria do conto ou Um escritor, um cavalo magro e velho", uma cena de rua fornece a inspiração de que necessitava: "Depois, assim que se instalou à boléia, Antônio apanhou o &lt;br /&gt;aparelho e bateu nas ancas do animal até ficar extenuado, até que o filho apanhasse as rédeas e o chicote e conduzisse a carroça para longe dos meus olhos, que vislumbraram na cena final o motivo de um conto, diferente do primeiro, talvez um que principiasse assim: Há várias semanas dispunha-me a escrever um conto sobre um homem e um cavalo magro e velho...". É com essas palavras que o conto efetivamente se inicia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem considerado, a teoria do conto (de todos os contos) é a sua prática, situação que se duplica quase literalmente no "Conto do inverno", de Sérgio Faraco, tanto no esquema narrativo quanto na conclusão artesanal: "Boa história", diz o narrador a propósito do que acaba de contar. "Meu winter's tale, disse em voz alta. E logo um pensamento desagradável: talvez tivesse desconfiado, desde o início, de que aquilo era um conto. Nesse caso, era quase certo que estivera a representar. Era espantoso como os escritores, às vezes, podiam ser interesseiros, e no fundo, bem no fundo, tão ou mais cruéis do que um dono de caminhão como o que conhecera naquela madrugada". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa galeria, Michel Laub é o "escritor de gabinete", autor, como os anteriores, de contos breves, simples vinhetas, as proverbiais "fatias de vida" que estavam em moda ao tempo de K. Mansfield (Álvaro Lins &lt;br /&gt;identificou uma "família Mansfied" em nossa literatura). Os tempos são outros, contudo, e onde ela se demorava nos devaneios de adolescente e no sentimentalismo nostálgico, os dias de hoje propõem a temática brutal do homossexualismo sórdido ("Na rua escura", de Sérgio Faraco), ou do ecologismo tanto mais politicamente correto quanto convencional ("A última canafístula", de Charles Kiefer). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um e outro podem ser considerados realistas, pelo menos em uma parte importante de suas obras, enquanto Michel Laub é contista de subentendidos sutis e elipses refinadas: a protagonista de "Cheiro de cloro" &lt;br /&gt;especializou-se na hidroterapia para atender ao próprio pai, paraplégico em conseqüência de acidente na piscina a que ela, como criança, assistira traumatizada. O que só se esclarece na última linha. É autor mais sugestivo que narrativo ou descritivo. O conto "Morando longe", entre outos, modelo de minimalismo que lhe define e caracteriza o estilo, encontra o desfecho dramático numa única linha: "Entramos. Nádia está esperando, e pára de sorrir quando me vê" - tema retomado por Charles Kiefer no plano realista de "O visitante", autor, aliás, do manual do perfeito contista ("O elo perdido"). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão realista ou regionalista quanto seja, Sérgio Faraco não rejeita o realismo fantástico ("Um destino para o fundador") ou flagrante da solidão urbana, não o tempo em si mesmo, mas o envelhecimento, o que é diferente, ("A dama do Bar Nevada"). É, em perspectivas invertidas, a história do amor perdido (no singular), isto é, do momento fugaz em que se desfez a oportunidade única do grande amor ("Café Paris"). Ou então, a história pungente de Cíntia (Charles Kiefer), cuja morte foi pronunciada pelo pequeno defeito técnico na gravação da música que cantava: "O leve tremor, que eu percebera no gabinete, havia se transformado numa vibração constante de largo espectro, tão homogênea e tão intensa que nenhuma &lt;br /&gt;filmadora ou máquina fotográfica conseguia fixar-lhe a imagem".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-2996636958906925491?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/2996636958906925491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/02/gauchos-wilson-martins.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/2996636958906925491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/2996636958906925491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/02/gauchos-wilson-martins.html' title='Gaúchos (Wilson Martins)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-6623043019954280989</id><published>2010-02-07T07:50:00.000-08:00</published><updated>2010-02-07T07:50:53.616-08:00</updated><title type='text'>Charles Kiefer, best-seller no Sul, tem obra relançada nacionalmente (Marcelo Moutinho)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Logo tu repousarás também&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer, Editora Record, 112 p. &lt;em&gt;Quem faz gemer a terra&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer, Editora Record, 160 p. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gaúcho Charles Kiefer é exemplo clássico de um fenômeno literário típico dos pampas. Autor de 27 livros, que chegaram a respeitáveis 300 mil exemplares vendidos, e laureado com dois Jabutis, entre outros prêmios importantes, ele permanece praticamente desconhecido no resto do país. Tal quadro decerto começará a mudar a partir de agora. De contrato recém-assinado com a Record, Kiefer terá relançada toda a sua obra em plano nacional, incluindo incursões pelas searas da prosa, da poesia e do ensaio. “Logo tu repousarás também” e “Quem faz gemer a terra”, os dois títulos inaugurais da fornada, acabam de chegar às livrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro trabalho é uma seleta com 14 contos inéditos, que confirmam a opção do escritor por uma narrativa realista e de cunho social. Em alguns momentos, como nos ótimos “Medo” e “O boneco de neve”, Kiefer consegue penetrar com sutileza naqueles misteriosos sulcos dramáticos que se escondem por detrás dos fatos cotidianos. Uma prosaica corrida de táxi pode, então, conduzir aos traumas mais agudos de um torturador, e uma brincadeira aparentemente inocente entre garotos, resultar em morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado satisfatório no flerte com o fantástico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando flerta com o fantástico, caso de “O terceiro cão”, o resultado é igualmente satisfatório, embora as referências à própria literatura — através de personagens emblemáticos como o flanêur ou de poetas como Drummond — sejam, além de demasiadas, desnecessárias. Essas alusões, que evidenciam um incômodo conflito entre seus ofícios de professor de letras e autor, aparecem também no pretensamente borgiano “Rosa rosarum”. Estruturada sob a forma de um ensaio, inclusive com as tradicionais notas de rodapé, a trama centra-se na investigação do próprio Kiefer sobre as origens de “A biblioteca de Babel”, célebre conto do escritor argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande senão do livro, contudo, é a luz desconfortável — porque exageradamente intensa — que o autor acende naquela zona de penumbra que deve pairar sobre a narrativa ficcional. Mesmo o realismo necessita desse espaço negociável entre o texto e o leitor, sob pena de sucumbir ao meramente discursivo — como ocorre, só para citarmos um exemplo, no engajado “Insônia”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já evidente na seleta de contos, tal traço se explicita ainda mais em “Quem faz gemer a terra”, novela publicada originalmente em 1991 e baseada no episódio verídico de um soldado morto em conflito com os sem-terra em Porto Alegre. A história é narrada sob o ponto de vista de Mateus, o camponês que assassinou o policial. Como se prestasse um depoimento, o protagonista faz uma retrospectiva da própria vida, desde a infância até o ingresso no assentamento e o posterior crime. É que “contar clareia”, como observa ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kiefer brilha ao desenhar, com criativas metáforas, as recordações mais remotas de Mateus, referentes ao tempo em que ainda defrontava-se com as dúvidas e descobertas de criança. Coalhadas por imagens poéticas, as reminiscências abarcam a companhia da deliciosa figura do avô, que dormia num caixão a fim de aguardar pela morte devidamente preparado. São personagens que remetem ao lirismo do moçambicano Mia Couto, configurando uma espécie de poética da infância, povoada por cheiros, cores e sensações que, uma vez experimentados, a memória preserva para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como nos contos, Kiefer imprime ritmo perfeito à narrativa, que flui sem solavancos. Mas à medida que avança, a novela vai perdendo matizes, até chegar ao puramente maniqueísta quando a questão social enfim se exacerba. Então o ideológico — ainda que supostamente meritório — se sobrepõe ao literário, e o viés político torna-se direto, como demonstra a passagem em que o protagonista, indignado com a repercussão dos atos dos sem-terra, indaga: “Agora, querem fazer da foice o símbolo da nossa violência. Me diga, não é violência o que passam os velhos doentes, as crianças e as mulheres nos acampamentos?”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preso às grades invisíveis do panfletarismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Persuasivo em essência, esse jogo sem meio-termos que define mocinhos e bandidos espreme a ficção em sentenças categóricas, parecendo esquecer que mesmo a narrativa realista é uma “reescritura” do real. Como se fosse necessário oferecer ao leitor um prato-feito repleto de respostas, achata o campo da dúvida e confunde a perspectiva humanista — que viceja na obra de escritores como Albert Camus e Graciliano Ramos — com dicotomias redutoras. Nessa operação, a literatura de Kiefer acaba refém de sua própria ânsia: ao se querer livre e crítica, sucumbe no fim das contas às grades invisíveis do panfletarismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-6623043019954280989?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/6623043019954280989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/02/charles-kiefer-best-seller-no-sul-tem.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/6623043019954280989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/6623043019954280989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/02/charles-kiefer-best-seller-no-sul-tem.html' title='Charles Kiefer, best-seller no Sul, tem obra relançada nacionalmente (Marcelo Moutinho)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-1643636107880244571</id><published>2010-01-11T17:05:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T17:08:09.386-08:00</updated><title type='text'>Nossas melhores mulheres (Paulo Bentancur)</title><content type='html'>&lt;em&gt;O livro das mulheres&lt;/em&gt;, org. de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 120 p. Jornal&amp;nbsp;&lt;em&gt;Porto &amp;amp; Vírgula&lt;/em&gt;,&amp;nbsp;Edição da Feira,&amp;nbsp;Ano VI,&amp;nbsp;n. 5, 03 de novembro de 1999, p. 3, Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem resolveu dar uma espiada no que as mulheres andam fazendo. Esse homem é Charles Kiefer, e como ele é escritor, as mulheres escolhidas são escritoras também. Conclusão: o objeto do desejo, no caso, são os textos dessas mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ou não motivos para excitação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa resposta quem pode ter é o leitor que engrossa a fila de autógrafos do &lt;em&gt;Livro das mulheres&lt;/em&gt;, hoje, às 17h, fila certamente concorrida. Treze foram as escolhidas, desde nomes pouco conhecidos (Sandra Fasolo, Consuelo Bassanesi) até estrelas conhecidas da nossa literatura recente (Martha Medeiros, Valeska de Assis, Cíntia Moscovich). Na apresentação, Kiefer, o organizador, assinala: “ouso afirmar que vivemos a era de ouro da contística gaúcha”. Com semelhante aposta, o escritor procurou selecionar um material exemplar daquelas que considera exemplares. Pronto. É só ficar no aguardo do veredicto do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os demais nomes que formam o time feminino são: Adriana Lunardi, Lélia Almeida, Letícia Wierzchowski (que tem publicado bastante), Lísia Pessin Adam, Maria Helena Weber, Paula Taitelbaum, Vera Ione Molina e Vera Karam. À pergunta que talvez nos façamos diante da ausência das veteranas e consagradas como Lya Luft, Patrícia Bins e Tânia Faillace, ou mesmo de um nome já firmado como Jane Tutikian, a resposta, que o livro não dá, certamente está oculta: coletâneas assim estão em busca do novo, o próprio Kiefer observa “não me propus, ao reunir a seleção de autoras que constam desta antologia, extrair de seu trabalho uma poética do conto. Até porque o processo de criação literária riograndense está em pleno desabrochar”. Não é o caso, claro, de Lya, Patrícia, Tânia ou Jane, sob diversos aspectos com obra já realizada (embora, felizmente, sempre realizando e, portanto, por realizar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, as jovens selecionadas pelo organizador representam o futuro começando a acontecer agora – exatamente as possibilidades de nossa literatura nas mãos das mulheres. Essas possibilidades, a julgar pelos contos de Adriana Lunardi, Cíntia Moscovich, Lísia Pessin Adam e Valesca de Assis – a meu juízo os&lt;br /&gt;quatro grandes momentos do conjunto -, são enormes. Pelo menos quanto a estas, a aposta de Kiefer já deu certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-1643636107880244571?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/1643636107880244571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/01/nossas-melhores-mulheres-paulo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1643636107880244571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1643636107880244571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/01/nossas-melhores-mulheres-paulo.html' title='Nossas melhores mulheres (Paulo Bentancur)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-5461379141385147091</id><published>2010-01-11T16:52:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T16:56:18.099-08:00</updated><title type='text'>A feira das mulheres (Eduardo Nasi)</title><content type='html'>&lt;em&gt;O livro das mulheres&lt;/em&gt;, org. de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 120 p. Revista &lt;em&gt;Aplauso&lt;/em&gt;, Ano 2,&amp;nbsp;nº 15, 1999, p.36-7, Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra de homens bravos e pelejadores, montados em cavalos com facas nas botas? Nada disso. A feira do livro mostrou que os grandes estereótipos que cercam a literatura do Rio Grande do Sul podem estar por um triz. Tudo porque, depois de Lya Luft, Patrícia Bins e Lilá Ripoll, um grupo de mulheres está pronto&lt;br /&gt;para segurar as rédeas das Letras do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O catalisador dessa mudança é &lt;em&gt;O Livro das Mulheres&lt;/em&gt; (Mercado Aberto), organizado pelo também escritor Charles Kiefer, que reúne contos dos principais nomes da nova literatura feminina gaúcha. Há uns dois anos, quando Kiefer botou na cabeça que ia organizar o livro, a movimentação ainda era sutil. Cíntia Moscovich fazia um certo sucesso com &lt;em&gt;O Reino das cebolas&lt;/em&gt;, seu livro de estréia. Martha Medeiros ainda estava restrita às páginas do caderno Donna, do jornal &lt;em&gt;Zero Hora&lt;/em&gt;, além do bom resultado dos livros de poemas. E Vera Karam se aproximava meio de soslaio, firmando-se como dramaturga com a peça &lt;em&gt;Dona &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Otília Lamenta muito&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repare-se em Martha Medeiros, por exemplo. A poeta e cronista estréia no conto em &lt;em&gt;O Livro das Mulheres&lt;/em&gt;. Se dá bem, mas não é uma surpresa. Crônicas como "Mulher de um Homem Só", do &lt;em&gt;supersucesso&lt;/em&gt; que é a antologia &lt;em&gt;Trem Bala&lt;/em&gt; (L&amp;amp;PM), já eram contos. Ou seja: os contos de Martha já circulavam pelos jornais há um tempo, sem que ninguém percebesse. Aliás, as crônicas da autora estão marcando um estilo firme e gracioso. Até pouco tempo atrás, escrever era um &lt;em&gt;hobby&lt;/em&gt; para Martha Medeiros. Hoje, está mostrando que será uma das maiores cronistas deste país. Letícia Wierzchowski é outro fenômeno, pelo menos no que se refere à qualidade de livros. Do ano passado para cá, lançou três livros individuais (&lt;em&gt;O Anjo e o resto de nós,&amp;nbsp;O Anuário dos amores&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Prata do tempo&lt;/em&gt;), participou de duas antologias de contos (&lt;em&gt;Contos de Oficina 20&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Livro das &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Mulheres&lt;/em&gt;) e publicou os e-mails que trocou com o marido Marcelo pires (&lt;em&gt;eu@teamo.com.br&lt;/em&gt;). &lt;em&gt;Prata do Tempo&lt;/em&gt; (L&amp;amp;PM) é o mais recente romance da moça. Conta uma daquelas sagas de uma família inteira, que começa com o avô do personagem central e acaba com o sujeito e os netos no colo. Como, alias, já acontecia com &lt;em&gt;O Anjo e o resto de nós&lt;/em&gt;. Apesar de muitas diferenças gritantes com &lt;em&gt;O Anjo&lt;/em&gt;, é inevitável comparar. E o leitor que desconhece os contos de Letícia pode ser levado a pensar que se trata de autora de uma história só. Vai perder uma boa autora, tudo por causa de uma fórmula que não precisava ser repetida tão cedo.Também com livro recém-publicado pela L&amp;amp;PM, a poeta Paula Taitelbaum também estréia no conto com a antologia de Kiefer. Com &lt;em&gt;Sem &lt;/em&gt;&lt;em&gt;vergonha&lt;/em&gt;, prossegue a carreira de poeta, iniciada ainda no ano passado com o ótimo &lt;em&gt;Eu versos Eu&lt;/em&gt;. No novo livro, Paula está ainda mais segura no que faz. A base da poesia de Paula é o jogo de palavras, um jeito fácil de cair num vazio sem significado algum. Porém, Paula sabe brincar com o som das palavras sem esquecer de que há algo a ser dito. Os poemas não são vazios nem chatos. Só uma coisa: o conto deixou um gosto de quero mais, e agora Paula Taitelbaum está devendo um livro de prosa aos seus leitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pontos em comum entre todas essas mulheres é o cenário urbano e a narrativa com um pé no intimismo. Pode-se especular diversos motivos para isso. Qualquer hipótese será, no máximo, um problema acadêmico, e qualquer resposta poderá ser contestada pelas autoras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se os trabalhos de Cíntia Moscovich, Valesca de Assis e Adriana Lunardi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma delas teve livro próprio lançado este ano, o que é uma pena. As três sabem combinar enredo e linguagem de uma forma excepcional. E outra peculiaridade: nos contos do trio, o leitor vai encontrar um desfecho muito bem pensado, que foge do lugar comum. Mais um destaque dessa feira e que está em&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Livro das Mulheres&lt;/em&gt; é Lélia Almeida, que também lançou &lt;em&gt;Querido Arthur&lt;/em&gt; (WS Editor), uma narrativa epistolar escrita entre Santa Cruz do Sul – onde a escritora é professora – e a província argentina de Mendonza.Lélia, que conhece como poucos a literatura feminina contemporânea da América Latina, mostra que sabe sair da teoria e usar na prática da escrita todo o conteúdo de seu trabalho na universidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera Karam, que começou a escrever textos para o teatro e, no ano passado, consagrou-se tradutora do inglês premiada com um troféu Açoriano, estréia na prosa com bons textos. E também lança u livro de contos só dela: &lt;em&gt;Há um Incêndio &lt;/em&gt;&lt;em&gt;sob a Chuva Rala &lt;/em&gt;(Mercado Aberto). Algumas esquetes de Vera escritas tempos atrás (e publicadas no livro &lt;em&gt;Dona Otília lamenta muito&lt;/em&gt;) já mostravam um bom domínio do texto ficcional, o que os novos textos confirmam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar a seleção de &lt;em&gt;O livro das Mulheres&lt;/em&gt;, resta lembrar Lízia Pessin Adam e Vera Ione Molina, e as estreantes Consuelo Bassanesi e Sandra Fasolo. As quatro, porém, não encerram a lista das mulheres da Feira do livro. O desfecho fica por conta da novela &lt;em&gt;Endiabrada&lt;/em&gt;, de Dorothy Camargo Gallo (WS Editor), dos contos &lt;em&gt;Restos do Dia&lt;/em&gt;, de Maria Moura (IEL), e de três livros de poemas: &lt;em&gt;Criaturas &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Minhas &lt;/em&gt;de Célia Maria Maciel (WS Editor), &lt;em&gt;Teceres&lt;/em&gt;, de Cássia Pinto (IEL), e &lt;em&gt;Morder a Polpa&lt;/em&gt;, de Berenice Sica Lamas (Movimento). Sinal de que, se Kiefer quiser, dá para publicar um outro &lt;em&gt;Livro das Mulheres&lt;/em&gt;. Porque boas escritoras para recheá-lo o Rio Grande do Sul já mostrou que tem de sobra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-5461379141385147091?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/5461379141385147091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/01/feira-das-mulheres-eduardo-nasi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/5461379141385147091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/5461379141385147091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2010/01/feira-das-mulheres-eduardo-nasi.html' title='A feira das mulheres (Eduardo Nasi)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-7483043266492445528</id><published>2009-10-18T15:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T15:31:52.252-07:00</updated><title type='text'>Caminhos novos (Deonísio da Silva)</title><content type='html'>&lt;em&gt;O pêndulo do relógio&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 64p. Jornal &lt;em&gt;Tchê!&lt;/em&gt;, n. 33, julho de 1984, p. 11. Porto Alegre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, o escritor Moacyr Scliar, que é também médico, revelava, em mesa-redonda que discutia os rumos da literatura no sul do país, que o Rio Grande liderava uma triste estatística: era o Estado em que ocorriam mais suicídios. A uma platéia atônita, completou a informação: o instrumento mais usado era a corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O drama de Alfredo Müller, personagem da mais recente novela de Charles Kiefer, revela outras faces dessa clandestinidade. A imagem do gaúcho folgazão, livre, monarca dos pampas, garbosamente vestido, montado em fogoso corcel, vai sendo retificada pouco a pouco. A ficção, encarregada de realizar nesse continente a história secreta dos povos, tem dado a contribuição mais significativa. O gaúcho foi posto a pé, por Cyro Martins; decadente e extraviado, por Josué Guimarães; e sem discurso e sem poder, por numerosos outros ficcionistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, enquanto vários meninos eram fulgurantes promessas, se deixassem de contemplar apenas o próprio umbigo (esta era e é uma condição essencial), Charles Kiefer, pela qualidade das leituras que empreendia quando morava numa das regiões agrárias mais mecanizadas do Brasil, aparecia como uma esperança singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que tiveram paciência de acompanhá-lo até aqui, saberão do que estou falando. Acompanho sua prosa desde às pequenas edições tornadas públicas por este gênio editorial&amp;nbsp;do Grande do Sul dos anos 70, o Intrépido Rovilio Costa. Depois, vi sua novela &lt;em&gt;Caminhando na Chuva&lt;/em&gt; (Porto Alegre, Mercado Aberto, 1982) obter o reconhecimento da crítica e do público (está agora em segunda edição). É impressionante o percurso desse menino! Talento e trabalho estão fazendo de Charles Kiefer um dos melhores ficcionistas da atual safra gaúcha da literatura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A epígrafe de Steinbeck não vem de ornamentação. &lt;em&gt;O pêndulo do relógio&lt;/em&gt; retoma o drama de &lt;em&gt;As vinhas da Ira&lt;/em&gt;. A implantação do capitalismo num meio agrário onde a lentidão do tempo dá a imagem de um pêndulo inerte - lá o tempo não passa por muitos séculos, de pai para filho desde priscas eras - ocorreu antes nos Estados Unidos, na Califórnia de Steinbeck. As leis econômicas são inexoráveis. A literatura que se ocupa desses temas&amp;nbsp;– o abandono forçado do campo, a inchação das periferias urbanas etc.&amp;nbsp;– só pode ser uma literatura de protesto. Charles Kiefer não é o Steinbeck do Rio Grande do Sul. Não é, nem pode, nem deve, nem quer ser. Está fazendo seu próprio caminho. Nenhum escritor repete outro; se repete, repete mal. E Charles tem competência suficiente para se estabelecer por conta própria, como, alias; já se estabeleceu. Sua prosa não pode mais ser ignorada. O que quero dizer, a propósito da comparação com &lt;em&gt;As vinhas da Ira&lt;/em&gt;, é que a situação da agricultura brasileira, em especial a do Rio Grande do Sul, ficou multo parecida com os eventos que inspiraram Steinbeck na Califórnia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está em questão, portanto, na prosa de protesto desse escritor, não é um ideário de panfleto que advogue coisas como a conservação do solo, mais virtudes, mais amor, etc.(1). Esses ingredientes podem engrossar o caldo de discursos religiosos, ou programas de agrônomos. Não adianta pregar que o homem é irmão do homem quando todo um sistema faz dele, contra seu querer, suas tradições, seu coração&amp;nbsp;– o lobo do outro. A questão não é, pois: devemos conservar o solo? Devemos distribuir a terra? Devemos financiar a produção no Banco do Brasil? Devemos ouvir os agrônomos? Devemos formar uma cooperativa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, tal como em &lt;em&gt;As vinhas da Ira&lt;/em&gt;, é: por que nós não podemos fazer o que nós queremos? O tema principal da novela de Charles Kiefer é o poder, arrebatado das mãos dos pequenos proprietários de lavouras ditas de subsistência, por outros donos, que lhes roubam até mesmo a subsistência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ficção do Steinbeck é freqüente a aparição de homens que não sabem a causa de sua existência, a razão de viverem. São impelidos então, para atividades e concepções que satisfaçam sua necessidades religiosas. No discurso religioso, às vezes, descobrem que são iguais a outros e juntos podem ser fortes e partilhar do poder. A vanguarda da Igreja Católica vem descobrindo e catalisando essas forças e por isso tanto trabalho tem dado ao chamado sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sexo não é mais tabu, ao menos nos circuitos da literatura e das outras artes. Tabu, mesmo, no Brasil, é a questão fundiária, a questão da terra. Os hedonistas dos anos 70 chocaram as camadas mais conservadoras com histórias obscenas, indecorosas, que tomaram as sexualidades como temas e revelaram o avesso de usos e costumes intoleráveis. Essa obsessão embotou às vezes a visão de outros temas. A obsessão por Aldine Müller não pode evitar que vejamos também Alfredo Müller. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reaparecimento da questão fundiária na ficção de escritores tão jovens é sintoma de grandes coisas. Chocar a burguesia é mais fácil do que derrubá-la, disse outro dia Hobsbawn, a propósito da chamada liberalização sexual do Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Kiefer deu um tratamento de primeira ordem a uma questão que redundou, por exemplo, no drama da Encruzilhada Natalino. O estatuto estático que marca o drama de Alfredo Müller, sua família e seus vizinhos, está limitado somente pela extensão da novela. Tomara que Charles Kiefer retome o tema numa ficção mais alongada. &lt;em&gt;O pêndulo do relógio&lt;/em&gt; é uma novela enxuta, seca, demolidora, bonita e, sobretudo, multo bem escrita. Bem escrita no sentido pleno do termo: escreve-se para decifrar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando enigmas como a morte de Alfredo Müller são bem decifrados em suas causas profundas, como é o caso, é porque o mundo esta sendo esclarecido e o autor escreveu bem. A palavra, agora, está com os outros leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) MARKS, Lester.&amp;nbsp;&lt;em&gt;Thematic design in the novels on John Steinbeck&lt;/em&gt;. Paris, Mouton. 1971. p. 67.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-7483043266492445528?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/7483043266492445528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/caminhos-novos-deonisio-da-silva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/7483043266492445528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/7483043266492445528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/caminhos-novos-deonisio-da-silva.html' title='Caminhos novos (Deonísio da Silva)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-1726602531637166123</id><published>2009-10-18T15:02:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T15:02:55.948-07:00</updated><title type='text'>A Face do Abismo (Almeida Fischer)</title><content type='html'>&lt;em&gt;A face do abismo&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 156p. Jornal &lt;em&gt;O Estado de São Paulo&lt;/em&gt;, Caderno Cultura, 25 de fevereiro de 1989. São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar a leitura de &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt;, novo romance de Charles Kiefer, que se desenvolve na cidade de San Martin, prestes a ser inundada pela construção de uma barragem, não pude evitar que me viesse à lembrança a expectativa de outra inundação, enfocada em &lt;em&gt;Depois do último trem&lt;/em&gt;, do também gaúcho Josué Guimarães. Não que as histórias narradas nos dois romances tenham alguma coisa em comum além da construção da barragem, possam assemelhar-se em seus objetivos, em sua técnica de elaboração, em sua linguagem. Nada disso. A cidade de Abarama, ameaçada pela inundação, no romance de Josué Guimarães, não tem situação definida, nem população caracterizada, servindo o episódio apenas para a construção do clima fantástico pretendido pelo Autor. A de &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt; localiza-se no Alto Uruguai, na divisa com a Argentina, e é habitada por colonos alemães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece, porém, que o bom leitor faz indagações ao texto, buscando respostas. Assim, a pergunta se me impôs: terá havido alguma cidade gaúcha conhecida, que tenha sido inundada em decorrência da construção de uma barragem? Consultei livros e pessoas e nada encontrei nesse sentido. Tanto Abarama quanto San Martin devem ser cidades ou povoados criados pelos dois escritores do Rio Grande do Sul. Muitas barragens têm sido construídas no Brasil com a inundação de cidades e vilas. Mas não em terras gaúchas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inventiva de Charles Kiefer deslocou colonos alemães para a zona do alto Uruguai, fazendo erguer-se, na área que teria sido ocupada pelos índios guaranis, exterminados pelos bugreiros, o espaço ficcional em que se desenvolve seu romance. A verdade é que o talento do escritor tornou a cidade algo tão vivo e verdadeiro que ela passou a existir de fato na literatura brasileira. A realidade comum não interessa à arte literária senão como medida de transfiguração. O que importa é tão-somente a realidade literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascínio que as aproximações exercem sobre mim é responsável pelas digressões&amp;nbsp;– creio que pertinentes&amp;nbsp;– acima feiras, que poderiam ser estendidas, no que se refere à construção do espaço ficcional, a numerosos romances da melhor qualificação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, San Martin, cuja história, no romance, Alberta Zeller, vereadora do PMD, conta ao neto um dia antes do afogamento de suas casas e fantasmas, é uma pequena cidade de características bem marcadas, com seus tipos humanos mergulhados nos problemas da comunidade, miúdos problemas de resto, ligados à Intendência Municipal, às farras com as raparigas do meretrício, à demarcação de terras e outros desse tipo. No bar do Nicanor, principal ponto de reunião, os homens bebericam relembrando caçadas, revoluções, heroísmos e outras amenidades. Alguns, já sob os efeitos do álcool, vêem-se de repente diante de sua própria consciência, das suas carências, de sua solidão e repetem confidências, as mesmas de sempre, revelando sonhos e perplexidades existenciais. A notícia da construção da barragem altera fundamentalmente a rotina dessas criaturas, obrigando-as a encarar a escura face do amanhã. Resta dizer, talvez mais explicitamente, que &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt; é um romance da melhor qualificação, que se lê com interesse, escrito em muito boa linguagem literária e com técnica bastante moderna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-1726602531637166123?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/1726602531637166123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/face-do-abismo-almeida-fischer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1726602531637166123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1726602531637166123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/face-do-abismo-almeida-fischer.html' title='A Face do Abismo (Almeida Fischer)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-3330202353456224792</id><published>2009-10-18T14:41:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T14:41:25.487-07:00</updated><title type='text'>Acidentes de percurso (André do Carmo Seffrin)</title><content type='html'>&lt;em&gt;A face do abismo&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 156p. Jornal &lt;em&gt;Rio Zona Sul&lt;/em&gt;, fevereiro de 1989. Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um excelente andamento – por muitas vezes usando com propriedade soluções cinematográficas num contraponto muito bem montado&amp;nbsp;– o recente romance de Charles Kiefer&amp;nbsp;– &lt;em&gt;A Face do Abismo –&lt;/em&gt; perde acentuadamente a força nas últimas páginas. O autor soluciona o desfecho com um longo monólogo de um dos personagens-chave (Gumercindo Rosas), onde não se encontra mais que a repetição de tudo o que havíamos acompanhado até ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas temos muito a favor deste escritor. Em &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt; ele abandona temporariamente (?) Pau d’Arco para contar a história de fundação e desaparecimento de San Martin. Mais do que um romance que nos dá prazer em ler e reler, &lt;em&gt;A Face do Abismo &lt;/em&gt;é o salto de percurso já esperado após &lt;em&gt;Valsa Para Bruno Stein.&lt;/em&gt; Há um inegável domínio verbal e episódico no autor, um poder absoluto sobre os personagens e uma nítida capacidade de nos fazer sentir em feliz convívio com qualquer um deles. Amamos não só as mulheres cuja vida heróica sucumbindo ao peso de seus homens nos punge e castiga, mas também a estes homens impiedosos, ignorantes e bestiais. A história da fundação da cidade pelo bugreiro José Tarquino Rosas e o curso interessante desse rio histórico no tempo, nos é passada em capítulos-relâmpagos, num contraponto até certo ponto anárquico mas caprichosamente bem urdido a partir da metade do livro. Não lhe escapam oportunidades de humor, no rastro dos melhores ficcionistas gaúchos, a exemplo de Erico Verissimo e Josué Guimarães, aos quais Charles Kiefer hoje se filia. O romancista, estou certo, ultrapassará tranqüilamente qualquer entrave, porque tem talento, sem dúvida, para a realização de uma obra significativa no Brasil contemporâneo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-3330202353456224792?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/3330202353456224792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/acidentes-de-percurso-andre-do-carmo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/3330202353456224792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/3330202353456224792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/acidentes-de-percurso-andre-do-carmo.html' title='Acidentes de percurso (André do Carmo Seffrin)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-674304040324613089</id><published>2009-10-18T14:22:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T14:24:31.298-07:00</updated><title type='text'>Aos ventos da modernização (Sônia Salomão Khéde)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 175p. Jornal &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, 16 de novembro de 1986, Caderno II, Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do romance regionalista de 30 a temática do Nordeste conquistou a todos, não só pela necessária contundência da denúncia social, como pela forma com que as cidades metropolitanas absorveram a discussão de uma problemática também inerente a elas: a emigração e o conseqüente nascimento de outro Nordeste dentro do chamado Sul-maravilha, com todos os conflitos da descaracterização dos valores e do mimetismo cultural que gerações e gerações se viram forçadas a viver, na mais completa marginalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esse fato explique o pouco conhecimento de autores do Extremo Sul do País, principalmente dos mais jovens, como Charles Kiefer, 28 anos, nascido em pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande contribuição valorativa do autor para a prosa brasileira contemporânea esta não só na maturidade com que tece a estrutura narrativa de seu mais recente romance, mas principalmente no modo pioneiro como o faz. Tratando as relações interpessoais numa família de imigrantes alemães, Charles Kiefer aborda as dificuldades de posicionamento decorrentes do choque entre os rígidos códigos familiares centrados nos ensinamentos da Bíblia e a crescente destruição da estrutura econômica da pequena propriedade agrícola em que o chefe familiar podia exercer o seu mais avassalador domínio em nome da honra, do valor do trabalho e de uma virtude cada vez mais difícil de ser absorvida pelos mais novos. Com a falência da monocultura e a entrada dos &lt;em&gt;mass-media&lt;/em&gt; nesses lares há como uma luta entre anjos e demônios, ou seja, entre a tradição e as mensagens modernosas veiculadas. Bruno Stein, personagem central do romance, é o patriarca atingido pelos ventos da modernização. Rico e complexo personagem, vê-se aos 70 anos no centro de uma roda de fogo. Uma paixão proibida, o medo da morte, a rebeldia das netas e as reminiscências da infância que explicam cada vez mais a inusitada faceta de sua personalidade: a de artista, modelador do barro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem investir explicitamente num discurso apologético contra as forças desagregadoras do capitalismo, Kiefer encaminha questões relevantes, de dentro para fora, estabelecendo uma tensão entre a estrutura familiar e a econômico-social mais ampla, como constata Arnaldo Campos na orelha do livro. São elas: a razão da arte, a crise de valores, os conflitos étnicos e as perspectivas de libertação do controle invisível, mas eficiente legado pela tradição. Bruno Stein talvez seja o melhor exemplo da liberdade conquistada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livro que prende o leitor pelo ritmo da história, pela densidade dramática das cenas e pelo tom elegíaco de uma valsa para espantar fantasmas, &lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt; coroa o trabalho já premiado de Charles Kiefer. Como a novela &lt;em&gt;Caminhando na chuva&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O pêndulo do relógio&lt;/em&gt; (Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro), apresentando-se como um desafio para o próprio autor que escolheu um caminho já trilhado pelos escritores "maiores". Há que continuá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-674304040324613089?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/674304040324613089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/aos-ventos-da-modernizacao-sonia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/674304040324613089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/674304040324613089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/aos-ventos-da-modernizacao-sonia.html' title='Aos ventos da modernização (Sônia Salomão Khéde)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-4134365602052223615</id><published>2009-10-18T13:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T13:59:00.540-07:00</updated><title type='text'>Sob o céu do pampa gaúcho (Luthero Maynard)</title><content type='html'>&lt;em&gt;A face do abismo&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 156p. Jornal &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt;, 18 de junho de 1988, p. 18., São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gaúcho Charles Kiefer já havia demonstrado total domínio da técnica do conto e da capacidade de contar uma boa história quando publicou seu primeiro romance, &lt;em&gt;Caminhando na Chuva&lt;/em&gt;, sucesso de crítica e de público em sucessivas edições. &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt;, seu último romance, confirma o talento e a competência evidenciados nas obras anteriores. A ação se passa na cidade imaginária de San Martin, prestes a ser encoberta pelas águas de uma represa e é comandada por José Tarquino Rosas, fundador e responsável pelo progresso local. Alternando presente, passado e futuro de forma organizada (sem as confusões dos iniciantes no gênero), Kiefer recria, com imagens de intensa beleza plástica, a fauna e o modo de ser e ver o mundo do colono que trabalha a terra com amor e respeito. Com a precisão de um cirurgião, ele desnuda a comédia humana presente em todo agrupamento humano, revelando as grandezas e misérias que caracterizam homens e mulheres de todas as épocas. Um livro gostoso e marcante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-4134365602052223615?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/4134365602052223615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/sob-o-ceu-do-pampa-gaucho-luthero.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/4134365602052223615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/4134365602052223615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/sob-o-ceu-do-pampa-gaucho-luthero.html' title='Sob o céu do pampa gaúcho (Luthero Maynard)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-4469035435167024556</id><published>2009-10-14T04:43:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T04:43:24.007-07:00</updated><title type='text'>A face do Abismo (Ubiratan Teixeira)</title><content type='html'>&lt;em&gt;A face do abismo&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer – Editora Mercado Aberto, 156p. Jornal &lt;em&gt;O Estado do Maranhão&lt;/em&gt;, 14 de agosto de 1988. Cultura. P. 17,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu novo romance, &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt;, Charles Kiefer retoma os temas do Tempo — uma constante em sua obra —, do Destino e da Morte, conjugando-os habilmente como pano de fundo para expor, com precisão e lirismo, um tema maior que é o problema da terra e do homem na busca incessante de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás da história de San Martin e de seus habitantes existe muito mais do que a simples história de uma cidade a ser invadida pelas águas de uma represa. &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt; é antes um hino de amor à terra e uma tentativa de preservação, através da literatura, dos fortes e ao mesmo tempo tão frágeis laços que compõem a integração do homem com a natureza, do homem com sua essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa estrutura tecnicamente muito bem organizada, em capítulos que alternam presente, passado e futuro, e cujo fio temporal é dado por José Tarquino Rosas, fundador e elemento responsável pelo progresso de San Martin — personagem que sintetiza o homem em todas as suas contradições, capaz de, em um momento, exterminar friamente índios adultos e crianças, e, em outro, poupar a vida a um casal de onças porque, no instante do tiro, estão nas “funções do amor” — o leitor vai encontrando aqui e ali os claros deixados propositadamente para a sua reconstrução do romance. Daí por que, com exceção de José Tarquino, Alberta Zeller e Gumercindo Rosas, os três tempos da narrativa, a maioria dos personagens é apenas delineada, embora se movimentem num espaço temporal de quase um século. Abertos, são esgotados, a exemplo do Destino, tantas vezes evocado, eles apresentam-se embrionários, à espera de sua reelaboração, que pode se dar ao nível da leitura ou, quem sabe, futuramente, compondo a trama de um novo trabalho do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem, trabalhada com esmero, ganha relevo nos capítulos de José Tarquino, perpassados de referências à natureza, referências que se traduzem em minúcias e metáforas envolvendo a flora e a fauna ambientes, tão naturalmente incorporadas à fala e ao modo de ser do José Tarquino-bugreiro, que deixam saudade no leitor quando sua linguagem evolui a serviço do José Tarquino-empreendedor, dando a medida de sua transformação. Na fala de Nicanor, espectador das mazelas de San Martin e de seus habitantes, têm-se uma das imagens mais humanas deste &lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt;, e que é a síntese do romance: “Você olha para um colono e vê que ele é um tronco, uma árvore, um elemento da própria terra. Aí você o arranca dali como se ele fosse sem raízes? No rosto de um colono você encontra os rios, as montanhas, as matas, os pássaros, os animais, as chuvas de inverno, o mormaço de verão, as tanajuras e as borboletas amarelas, os raios das noites de tempestade. No rosto de um colono você vê a terra, porque o rosto de um colono é um mapa”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-4469035435167024556?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/4469035435167024556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/face-do-abismo-ubiratan-teixeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/4469035435167024556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/4469035435167024556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/face-do-abismo-ubiratan-teixeira.html' title='A face do Abismo (Ubiratan Teixeira)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-937133430302367059</id><published>2009-10-13T18:55:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T18:56:32.885-07:00</updated><title type='text'>Literatura que comove (Mirian Pinheiro)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Quem faz gemer a terra&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer&amp;nbsp;– Editora Record, 156p. Jornal &lt;em&gt;O Estado de Minas&lt;/em&gt;, 25 de março de 2007, p 2. Belo Horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jovem mata um soldado durante um enfrentamento e vai preso. Na prisão, ao contar e recontar sua história, acaba compreendendo o processo histórico que o levou até ali. Se não fosse o relato brilhante que permeia a obra, até que isso resumiria bem o livro de Charles Kiefer. Mas &lt;em&gt;Quem faz gemer a terra&lt;/em&gt; vai além. Numa narrativa realista, sem nenhuma pretensão de fazer um resgate jornalístico do conflito agrário no país, o autor conta, cheio de prosa, a situação de injustiça social que, multas vezes, leva cidadãos de bem, como o personagem principal Mateus, a se perder pela vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O protagonista inventado por Kiefer também é, porém, um homem que relembra sua infância pobre, de ingenuidade matuta, mas feliz. Uma pessoa que, na meninice, chorou a morte do avô que lhe contava histórias; fugia das rezas em casa; roubava fruta nas terras do vizinho; levantou uma foice para matar um gambá; trabalhava feito burro e, num desses revezes da vida, foi parar, junto com a família, num acampamento de sem-terra. Lá, se apaixona, se casa, sofre e se envolve com as questões da.terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que ninguém pense que o livro escorrega para a militância, para o panfletário. Embora trate de um colono sem terras, a história desse personagem aborda muito mais do que a constante e crescente injustiça social no Brasil. Revela a capacidade de um homem de amar, trazendo à tona questões existenciais que povoam o mundo masculino, cheio de angústias, indecisões e romantismo. O livro, que marca a reedição de toda a obra do escritor pela Editora Record foi inspirado num episódio real – a morte de um soldado com um golpe de foice dado por um sem-terra, durante um protesto, em 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TOM DE CONFISSÃO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem faz gemer a terra&lt;/em&gt; tem como pano de fundo a temática social, mas é a vida, sempre uma encruzilhada, que o livro descreve, com muita sensibilidade. O Mateus de Charles Kiefer fala da dureza dos seus.dias, entre bombas e cassetetes, com o mesmo lirismo que conta sobre a angústia que sentiu até ter a coragem de dizer “Você quer namorar comigo?” ou, em outras passagens, como quando relembra das noites em vigília no acampamento, as mesmas em que, “na sombra”, ele se buscava. Assim, ele se conta, como no trecho em que diz: “Estou aprendendo a contar, cada vez que conto a minha história vejo ela melhor. Contar clareia. Antes de você partir, me diga: contar não é como seguir um estradão que se espalha pelo tempo com as curvas de um rio, o estrondo das cascatas e a modorra manhosa das enchentes? Principiei de um jeito, enveredei por outro. Fui e vim, feito folha em rodamoinho, me enredei na espuma. Não lhe contei tudo, é verdade, mas uma história tem fim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece ser tudo um recomeço para o protagonista que, um dia, matou um soldado, mas que foi um menino a quem o autor faz questão de revistar, até mesmo quando questiona se o Mateus que perdeu a razão e matou o soldado já não estava no menino que levantou a foice contra o gambá. “Se estava, a miséria temperou o aço da lâmina, aguçou o fio e me preparou para o desatino”, responde o personagem, revelando, sobretudo, o talento de Kiefer – que também parece não ter fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor gaúcho é vencedor de três prêmios Jabuti e acaba de escrever um novo livro de contos, &lt;em&gt;Logo tu repousarás também&lt;/em&gt;. Estreou na literatura em 1982 com &lt;em&gt;Caminhando na chuva&lt;/em&gt;. É autor de &lt;em&gt;Aventura no&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Rio Escuro&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;A face do abismo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Dedos de pianista&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Museu de coisas insignificantes, Os ossos da noiva, A última trincheira, O escorpião da sexta-feira&lt;/em&gt;, entre outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-937133430302367059?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/937133430302367059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/literatura-que-comove-mirian-pinheiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/937133430302367059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/937133430302367059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/literatura-que-comove-mirian-pinheiro.html' title='Literatura que comove (Mirian Pinheiro)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-8925637900117396068</id><published>2009-10-01T13:50:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T13:50:44.222-07:00</updated><title type='text'>Pequena epopéia de San Martin (Caio Porfírio Carneiro)</title><content type='html'>&lt;em&gt;A face do abismo&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer — Ed. Mercado Aberto, 168p. Da Série &lt;strong&gt;Novo Romance&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Diário do Grande ABC&lt;/em&gt;, 06 de maio e 1989, p. 5, Caderno Idéias &amp;amp; Livros, São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt; é obra de ficção das mais belas e pungentes da moderna ficção brasileira. Como &lt;em&gt;romance&lt;/em&gt;, foge não apenas da ortodoxia ou padrões mais ou menos estabelecidos para defini-lo, bem comportadamente, como tal. Vai além da reformulação técnica e aparente desordem formal e estrutural; vai além das surpresas imprevistas de cada capítulo descartável. É que emana do todo do livro, ao longo da temporalidade difusa da história de San Martin, uma intemporalidade maior, que amplia, em tempo e espaço, a própria limitação do tempo referida. É o milagre de qualquer boa ficção. Mas aqui isto acontece de forma surpreendente: o &lt;em&gt;corriqueiro &lt;/em&gt;e o &lt;em&gt;dia-a-dia&lt;/em&gt; é que são o suporte. Intercala-se entre eles e através deles apenas o silêncio, o grande silencio, que é o espaço oportuno e fundamental da ficção não escrita, destinada à inteligência do leitor, que &lt;em&gt;vê&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;sente&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;observa&lt;/em&gt; a história no seu todo. Nunca vimos o &lt;em&gt;nada&lt;/em&gt; dizer tanto. Certos capítulos parecem crônicas ou narrativas banais. E embora as personagens, das principais (poucas) às secundárias, sejam tão humanas e tangíveis dentro do cenário rústico que se civiliza aos poucos, é mais no disfarce delas que o drama e a história se constroem. Porque tudo é ligeiro, que não é a pressa nervosa e elíptica. Nem mesmo Gumercindo Rosas ou José Tarquino, tão presentes, são bem presentes assim. Três ou quatro atitudes e o comportamento deles dizem tudo. E essa fugacidade, esse pingue-pongue, dão a presença viva de San Martin. Charles Kiefer fê-la nascer, viver e entrar em pânico com a sombra da represa pronta para invadi-la, apenas com pinceladas expressionistas, que não precisaram ser muitas para compor-lhe o retrato em detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem é aquela bem própria do autor de &lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt;. Não é mais apurada, é mais &lt;em&gt;disfarçada&lt;/em&gt;, se este é o termo. Não é fácil escrever assim, bordejando sempre, certo de que o leitor encontrará o alvo e nele se enredará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com toques de memorialística, este &lt;em&gt;romance&lt;/em&gt;, no sentido nobre do termo, mantém-se naquele ponto de equilíbrio do homem em simbiose com a natureza, em luta para vencê-la e com ela conviver. É quando a fauna e a flora humanizam-se e a civilização, nascida do desbravamento, mostra aquela face ideal de convivência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-8925637900117396068?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/8925637900117396068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/pequena-epopeia-de-san-martin-caio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/8925637900117396068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/8925637900117396068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/pequena-epopeia-de-san-martin-caio.html' title='Pequena epopéia de San Martin (Caio Porfírio Carneiro)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-2413418056918717961</id><published>2009-10-01T11:37:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T11:37:27.047-07:00</updated><title type='text'>A face do abismo (Roger Pardini)</title><content type='html'>&lt;em&gt;A face do abismo&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer — Ed. Mercado Aberto, 168p. Da série &lt;strong&gt;Novo Romance&lt;/strong&gt;. Revista &lt;em&gt;Infos Brésil&lt;/em&gt;, março de 1989, número 35, p. 15. Paris, França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roman sous forme de saga contant la fondation au début du siècle d’une bourgade mythique dans l’extrême sud du Brésil. Les récits – romancés ou non – sur la colonisation des régions frontalières du Rio Grande do Sul sont assez rares pour qu’on s’y attarde. Jorge Amado, géant de la littérature brésilienne et spécialiste du genro ne parle guére que du sertão et de Bahia, sa patrie. Quelques auteurs on parlé de I’Amazonie et de l´épopée des bandeirantes dans les Etats de Rio de Janeiro et de São Paulo mais, curieusement, assez peu du sud colonisé principalement par des immigrés italiens et allemands.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nous sommes en 1985, la veille de l’évacuation de San Martin, petite ville fondée en 1903 destinée à disparaître sous les eaux d’un lac artificiel. “Tante Alberta’, fille illégitime do fondateur de San Martin, José Tarquino, raconte à son neveu et futur écrivain l’histoire de la ville. Le réclt est entrecoupé de flash-back remontant à la jeunesse de José, luil-même fils illegitime d’un fazendeiro blanc et d’une métisse indienne. José est un aventurier, un “bugreiro”, chasseurs d’indiens sauvages (bugres) qu´il tue sans pitié. C’est à la suite du massacre d’un groupe de guaranis qu’il décide de fonder une colonie sur l´emplacement même de leur village incendié.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cest ensuite le lent développment du village, I’installation des colons, allemands pour la plupart, attirés par les riches terres vierges. Les luttes contre les indiens, les intrigues, les règlements de comptes, les mariages, les naissances et lês morts. Des événements historiques sont évoqués: la révolution fédéraliste de 1893, soulèvement des provinces du sud contre le pouvoir central, la guerre civile de 1923, la révolution de 1930 et l´instauration de la dictature Vargas. L´auteur a eu l’heureuse idée de compléter son roman par une chronologie des faits depuis la naissance de Ia mère de José Tarquino jusqu’à I’inondation de la ville. La biographie d’une dizeino do protagonistes de Ia saga figure égaloment.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Face do Abismo&lt;/em&gt; évoque immanquablement le dernier roman de Jorge Amado &lt;em&gt;Tocaia Grande&lt;/em&gt; qui raconte aussi la naissance d’une bourgade dans I’intérieur de l´Etat de Bahia. Même ambiance virile et violente, mêmes personnages: le fondateur, homme d’action taciturne, cruel, dur mais juste; les prostituées au grand coeur; les femmes légitimes courageuses mais effacées et l´inévitable commerçant libanais, travailleur, rusé et entreprenant. Kiefer est ancore loin d’avoir le souffle épique et chaleureux d’Amado mais il n’a que 31 ans et son style est alerte. Originaire de l´intéreur de l´Etat du Rio Grande do Sul, il est I’auteur d’une demi-douzaine d’ouvrages dont un recueil de contes qui a remporté un vif succés. Il serait toutefois prématuré de voir em un lui um futur Faulkner brésilien comme proclame avec enthousiasme um critique de São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-2413418056918717961?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/2413418056918717961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/face-do-abismo-roger-pardini.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/2413418056918717961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/2413418056918717961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/10/face-do-abismo-roger-pardini.html' title='A face do abismo (Roger Pardini)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-1029692852723140471</id><published>2009-09-28T06:27:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T06:27:58.732-07:00</updated><title type='text'>Nos embalos de um texto inteligente (Leda Rita Cintra)</title><content type='html'>&lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer — Ed. Merca¬do Aberto, 176p. Cz$ 55,00. Da série &lt;strong&gt;Novo Romance&lt;/strong&gt;. Jornal O Estado de São Paulo, Caderno 2, p. 07, 20 de junho de 1987.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animado por uma narrativa intercalada, &lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt; chega ao baile das letras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para seu primeiro romance, &lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt; (Editora Mercado Aberto. 175 páginas. CzS 235,00), Charles Kiefer trouxe o poder encantatório da linguagem poética que impregnava sua novela de estréia, &lt;em&gt;Caminhando na Chuva&lt;/em&gt;, de 1982. De sua segunda novela, &lt;em&gt;O Pêndulo do Relógio&lt;/em&gt;, 1984, ambas publicadas pela mesma Mercado Aberto, trouxe a força narrativa que arrasta o leitor até a última página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pau d'Arco, a pequena cidadezinha, quase aldeia, criada por ele para abrigar seus personagens, também não poderia faltar. E aí está. Repressiva, mesquinha, assistindo impassível aos dramas e conflitos dos personagens. Intocada, assiste à passagem esmagadora do progresso, que avança grosseiramente arrasando, com suas máquinas e seu capitalismo monocultor e selvagem as tradições culturais e econômicas que os descendentes dos imigrantes alemães criaram a seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vê o ruir do império de Bruno Stein (personagem principal da obra), sobre sua família. Vê a partida de Verônica, sua nela mais velha, em busca de outros horizontes que não os de sua avó Olga e os de sua mãe Valéria, "resignadas ao silêncio e a solidão". Vê, sobretudo, o velho, relegado, sozinho, igual a cachorro doente, se refugiar em um velho galpão de sua olaria para, então sim, moldar à sua maneira, no barro, os personagens de sua família que na realidade escapam de seu controle. É no barro, em suas esculturas que os aprisiona. Mas, ainda uma vez impotente, não pode transmitir-lhes o sopro de vida, exclusividade do Criador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta a Bruno o consolo de uma religião dominada por um Deus "cruel e vingativo” que ensina, antes de tudo, o pecado. E pecado é ir a bailes, ao carnaval, assistir à televisão, "essa máquina da depravação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esmagado entre essa religião repressiva e um progresso para ele desastroso, esgotadas suas negações e possibilidades, o personagem entrega-se ao pecado maior, ao prazer maior – a paixão que sente pela nora. No entanto, essa entrega é apenas o reflexo de seu desmoronar. É o personagem inteiro que se fraciona, se divide e, finalmente, se entrega. Não, como seria de esperar, como um perdedor, mas um vencedor que diante da luz azulada da televisão conclui que "acabara de acrescentar mais um prazer à sua já tão atribulada existência". E que, a partir daí, novamente se reincorporara, inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prazer que Charles Kiefer modela através de uma narrativa intercalada. Cada personagem, num movimento pendular do foco narrativo, é acompanhado pela duração de seu dia, ao fim do qual é abandonado exposto, exausto, para que o movimento possa ser reiniciado, com o foco incidindo sobre outro personagem, que, por sua vez, será esmiuçado. O resultado desse procedimento estilístico é que cada fato ou personagem será visto relatado por diferentes visões. O que só faz acrescentar ao texto desse excelente autor gaúcho, elegante, conciso e econômico, mais um prazer. Que nem a péssima qualidade gráfica, que o texto e o autor não merecem, consegue empanar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-1029692852723140471?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/1029692852723140471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/09/nos-embalos-de-um-texto-inteligente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1029692852723140471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1029692852723140471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/09/nos-embalos-de-um-texto-inteligente.html' title='Nos embalos de um texto inteligente (Leda Rita Cintra)'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-7991549008676145124</id><published>2009-09-28T06:11:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T06:11:08.372-07:00</updated><title type='text'>Rodopios e pausas da paixão</title><content type='html'>(Resenha de Geraldo Galvão Ferraz) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt;, de Charles Kiefer — Ed. Mercado Aberto, 176p. Cz$ 55,00. Da série &lt;strong&gt;Novo Romance&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Revista Leia&lt;/em&gt;, julho de 1986, São Paulo, SP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou, mas afinal Charles Kiefer se animou a passar das pequenas novelas para o romance, uma decisão que &lt;em&gt;O Pêndulo do Relógio&lt;/em&gt; (1984) já implorava dele, trazendo linhas narrativas que sufocavam nos estreitos limites das magras páginas da excelente obra do escritor gaúcho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Valsa para Bruno Stein&lt;/em&gt;, Kiefer confirma tudo que prometiam textos anteriores como &lt;em&gt;Caminhando na&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Chuva&lt;/em&gt; (1982) e &lt;em&gt;O Pêndulo&lt;/em&gt;. No formato maior, ele se mostra igualmente seguro no domínio da ação e do diálogo, hábil na fixação do instante significativo ou do detalhe essencial, além de dono de um talento inegável para contar gostosamente uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;História que no caso é a de Bruno Stein, septuagenário dono de uma olaria na região noroeste do Rio Grande do Sul, onde a monocultura da soja e as rápidas mudanças sociais dela resultantes são um tema em que o autor deita e rola. Charles Kiefer chegou, inclusive, a criar ali uma cidade — Pau d'Arco — para ser o palco iluminado onde desfilam seus personagens. Mas voltando a Bruno, sua trajetória é a linha mestra do romance, da caracterização dos seus prazeres na vida (o fumo, a leitura do "Fausto" goethiano e da Bíblia, a música e a paixão de modelar o barro) até o encontro final de um aparentemente inesperado prazer, o sexo crepuscular e incestuoso com a nora Valéria, clímax de uma atração desesperada e inescapável tipo paixão de tragédia clássica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pequeno mundo da olaria de Bruno, paixões não faltam. Nem conflitos, como o do chefe da casa, dividido entre a rigidez luterana e a tentação do pecado, cujo emissário mais evidente, para ele, é a televisão, símbolo do novo e do diabólico (praticamente a mesma coisa para o universo congelado no tempo de Bruno). As mulheres da casa vivem hipnotizadas pela medusa eletrônica e as vidas fictícias das novelas; a nora mal casada sonha com um amor que a redima da mediocridade a que é condenada pelo marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verônica, neta de Bruno, opta por largar o namorado (que lhe prometia sorte igual) e rompe as fronteiras da olaria, indo estudar em Porto Alegre. Presos ali pela necessidade, os empregados da olaria, Gabriel, Mário e Erandi são coadjuvantes do fundamental que é a luta que se trava dentro do Bruno Stein, ante a possibilidade dele moldar seu destino de modo diverso ao estabelecido, numa chance que a idade já não lhe permitia esperar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Kiefer, sádico criador, imiscui outras vidas, outros problemas, outras sortes, retardando e esmiuçando nuanças da guerra pela alma de Bruno Stein, ao balanço dos rodopios e pausas da paixão em ritmo de valsa da sua narrativa. O leitor, parceiro arrebatado, só tem que se deixar levar (tropeçando, contudo, nos muitos erros de português do romance que parece — e não merece — ter sido editado sem revisão), esperando agora que Charles Kiefer persista na sua decisão de optar pelo gênero literário que lhe dá maiores condições de voar ato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-7991549008676145124?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://charleskieferblogspot.com' title='Rodopios e pausas da paixão'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/7991549008676145124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/09/rodopios-e-pausas-da-paixao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/7991549008676145124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/7991549008676145124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/09/rodopios-e-pausas-da-paixao.html' title='Rodopios e pausas da paixão'/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3837931059778135922.post-1535038874262329211</id><published>2009-09-27T15:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T15:40:37.601-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Esta &lt;strong&gt;Fortuna Crítica&lt;/strong&gt; reúne entrevistas, reportagens, estudos, ensaios, resenhas e críticas sobre a obra de Charles Kiefer."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3837931059778135922-1535038874262329211?l=fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/feeds/1535038874262329211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/09/esta-fortuna-critica-reune-entrevistas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1535038874262329211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3837931059778135922/posts/default/1535038874262329211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fortunacriticadecharleskiefer.blogspot.com/2009/09/esta-fortuna-critica-reune-entrevistas.html' title=''/><author><name>Oficina Literária Charles Kiefer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06682922862834611416</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
